O medo e a falsa segurança
- Vera Lúcia Belisário Baroni
- 19 de ago. de 2024
- 1 min de leitura

"A ovelha passa a vida com medo do lobo, mas é comida pelo pastor, em quem ela confiava para protegê-la."
Essa frase não fala de lobos e ovelhas. Ela fala dos medos que nos aprisionam e que, paradoxalmente, nos levam a lugares ainda mais sombrios. Na psicanálise, compreendemos que o medo pode ser uma manifestação dos nossos conteúdos inconscientes não resolvidos. Muitas vezes, nos deixamos guiar por ele, como uma ovelha que segue seu pastor. Mas quem é esse pastor? O pastor pode simbolizar as pessoas, crenças ou estruturas nas quais depositamos nossa confiança, esperando proteção, segurança, ou salvação de nossos próprios fantasmas.
No entanto, o que raramente percebemos é que, ao delegar a essas forças externas o controle sobre nossa vida, corremos o risco de sermos devorados pelos próprios sistemas ou padrões que acreditávamos nos proteger. Vivemos com medo dos "lobos" – perigos externos – enquanto ignoramos as armadilhas que construímos internamente: medos, traumas e angústias que mantêm nossa psique presa em uma vida insatisfatória.
A verdadeira libertação está em confrontar aquilo que reprimimos e que tememos. É na análise, no autoconhecimento, que podemos nos dar conta dos "pastores" a quem cedemos poder, e, finalmente, nos livrarmos das correntes que nos mantêm acorrentados a uma vida aquém do que poderíamos viver. Afinal, o perigo maior pode não estar no lobo que observamos à distância, mas no medo e na falsa segurança que nos impede de enxergar além.
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