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Jennifer Castro e Geisy Arruda: como o constrangimento público gera apoio popular

Foto do escritor: Vera Lúcia Belisário BaroniVera Lúcia Belisário Baroni

Constrangimento público e apoio popular
Constrangimento público

Na última semana, o Brasil foi palco de mais um debate viral nas redes sociais, envolvendo a jovem Jennifer Castro, que se recusou a ceder seu assento em um avião para uma criança. Filmada e exposta sem consentimento, Jennifer foi alvo de constrangimento público, mas surpreendentemente recebeu massivo apoio popular.


Esse episódio trouxe à memória outro caso marcante: Geisy Arruda, hostilizada por usar um vestido considerado "curto demais" em uma universidade. Assim como Jennifer, Geisy enfrentou um constrangimento público intenso, que despertou solidariedade e transformou ambas em símbolos de resistência social.


O que essas duas histórias têm em comum, além do constrangimento público? Por que a sociedade se mobiliza tão fortemente em defesa de algumas vítimas? Mais do que coincidências, esses casos revelam dinâmicas comportamentais profundas que vale a pena explorar. Vejamos os pontos principais:


1. Empatia com o constrangimento público e apoio popular

Ambas as jovens foram expostas publicamente em situações de alta vulnerabilidade, o que gerou forte identificação emocional. O constrangimento público, amplificado pelas redes sociais, cria um efeito psicológico de "defesa do oprimido". Pessoas que já vivenciaram humilhações ou injustiças tendem a projetar suas experiências ao testemunharem casos semelhantes, fortalecendo o apoio à vítima.


2. Percepção de violação de direitos individuais

Jennifer foi criticada por exercer um direito legítimo: permanecer no assento reservado. Da mesma forma, Geisy foi hostilizada por uma escolha pessoal de vestimenta, o que não deveria ser passível de julgamento coletivo. Em ambos os casos, a sociedade percebeu uma violação da autonomia individual, despertando um senso de injustiça. Essa percepção mobiliza o público em defesa do que é visto como um direito básico, fortalecendo a solidariedade.


3. A ascensão da vítima como figura midiática

Casos como esses reforçam o fenômeno da "glamourização da vítima" na era digital. Quando a sociedade identifica uma pessoa como injustiçada, ela passa a ocupar o lugar de "herói relutante". Tanto Jennifer quanto Geisy ganharam fama e contratos publicitários, em parte porque sua exposição pública foi reinterpretada como uma oportunidade de empoderamento.


4. Polarização e rejeição à moralidade impositiva

Nos dois casos, as críticas iniciais dirigidas às jovens eram fundamentadas em códigos sociais rígidos — como a moralidade em torno de "satisfazer a vontade de uma criança" ou "vestir-se de forma adequada". No entanto, a sociedade moderna, mais inclinada à valorização da liberdade individual, reage fortemente contra essas imposições, transformando as jovens em símbolos de resistência.


5. A identificação com a "narrativa do pequeno contra o grande"

As redes sociais amplificam a narrativa de que uma pessoa comum enfrenta uma situação de opressão institucional ou social. Geisy enfrentava a "massa de alunos"; Jennifer, a pressão de outras mães e passageiros. Essa dinâmica, onde o "pequeno" resiste ao "grande", evoca solidariedade e apoio.


6. O desejo de autoexpressão coletiva

Apoiando as jovens, as pessoas também externalizam suas próprias opiniões e valores. Defender Jennifer ou Geisy muitas vezes vai além do caso em si e se torna uma oportunidade para afirmar valores de liberdade, respeito à individualidade e justiça.


Conclusão

O apoio popular em ambos os casos é multifatorial. A identificação com o lugar de vítima é central, mas há também outros elementos como empatia, percepção de violação de direitos e a rejeição à imposição de códigos morais. Além disso, na era digital, a narrativa de "empoderamento pós-constrangimento" tem apelo emocional e midiático, o que transforma essas situações em trampolins para a visibilidade e o reconhecimento público. Esses casos evidenciam como a sociedade atual valoriza a luta por liberdade e respeito à individualidade, frequentemente simbolizada pela figura da vítima resiliente.

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Vera Lúcia B Baroni   Transformando vidas 

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